Segunda-feira

Ficou comigo*

Deixei que me levasses o coração para um sítio onde não o consigo sentir. E não dei por nada, foste levando bocadinho por bocadinho... Quando dei por mim já era teu, e estava fraco e sem força.
Mas ainda assim vivo, respiro e sonho! Porque embora me tenhas levado o coração, ficou comigo a vontade de amar.

Quarta-feira

Sábado foi dia de matar saudades do Agrupamento! E eu sempre que tenho oportunidade dou lá um saltinho para ver a minha gente :)
Os pequenos que exigiam a nossa atenção, já estão enormes e já dão o exemplo aos Lobitinhos... Coisa boa e bonita de se ver!
E as saudades de tudo o que o Escutismo envolve voltam, e o desejo imenso de regressar é quase mais forte do que a realidade que não permite que isso aconteça.
Cresci de lenço ao peito e orgulho-me disso!

A todos um beijinho enorme cheio de saudades e um muitoooo obrigada por me receberem sempre tão bem e de forma tão familiar*



Sábado

"E que saudades é que podes ter daquilo que não conheceste?"

E eu respondo:

"Muitas, imensas, mais do que imaginas."

Segunda-feira

"Eu queria ter o tempo e o sossego suficientes
Para não pensar em coisa nenhuma,
Para nem me sentir viver,
Para só saber de mim nos olhos dos outros, reflectido".

Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos"

Eu tenho!

"Quem não dava a vida por um amor?
Quem não tem um amor inseguro e incerto, lindo de morrer: de quem queira, até ao fim da vida, cuidar e fugir, fugir e cuidar? "


Miguel Esteves Cardoso, in 'Último Volume'

Quinta-feira

"Era uma vez um pássaro... Adornado com um par de asas perfeitas e plumas reluzentes, coloridas e maravilhosas. Enfim, um animal feito para voar livre e solto no céu, e alegrar quem o observasse.
Um dia, uma mulher viu este pássaro e apaixonou-se por ele. Ficou a olhar o seu vôo com a boca aberta de espanto, o coração a bater mais rápido, os olhos a brilhar de emoção. Convidou-o para voar com ela, e os dois viajaram pelo céu em completa harmonia. Ela admirava, venerava, celebrava o pássaro.
Mas então pensou: "talvez ele queira conhecer algumas montanhas distantes!"
E a mulher sentiu medo. Medo de nunca mais sentir aquilo com outro pássaro. E sentiu inveja, inveja da capacidade de voar do pássaro. E sentiu-se sozinha. E pensou: "Vou montar uma armadilha. A próxima vez que o pássaro surgir, ele não mais partirá."
O pássaro, que também estava apaixonado, voltou no dia seguite, caiu na armadilha, e foi preso na gaiola. Todos os dias ela olhava o pássaro. Ali estava o objecto de sua paixão, e ela mostrava-o ás amigas que comentavam: "Tu és uma pessoa que tem tudo."
Entretanto, uma estranha transformação começou a processar-se: como tinha um pássaro, e já não precisava conquistá-lo, foi perdendo o interesse. O pássaro, sem poder voar e exprimir o sentido de sua vida, foi definhado, perdendo o brilho, ficou feio - e a mulher já não lhe prestava atenção, apenas na maneira como o alimentava e como cuidava da gaiola. Um belo dia, o pássaro morreu. Ela ficou profundamente triste, e vivia a pensar nele. Mas não se lembrava da gaiola, recordava apenas o dia em que o vira pela primeira vez, a voar contente entre as nuvens.
Se ela se observasse a si mesma, descobriria que aquilo que a emocionava tanto no pássaro era a sua liberdade, a energia das asas em movimento, não o seu corpo físico.
Sem o pássaro, sua vida também perdeu o sentido, e a morte veio bater à sua porta. "Porque vieste agora?", perguntou à morte.
"Para que possas voar de novo com ele nos céus", respondeu a morte.
"Se o tivesses deixado partir e voltar sempre, tu o amarias e o admirarias ainda mais; agora precisas de mim para poder encontrá-lo de novo."

Paulo Coelho, in Onze Minutos

É difícil esta coisa de ter umas asas pequeninas, frágeis, e ainda com pouca resistência a ventos fortes... lá chegará o dia de cruzar o céu sem medo!
Hoje percebi que sou dona de um coração e não de uma gaiola*